
Sabemos que apenas o "hoje" existe. O amanhã?! É incerto. Nada se sabe, tudo se imagina. Quando começamos a pensar na incerteza do amanhã, mergulhamos no mais imane dilema. Hoje podemos estar bem. O amanhã pode ser pus, algia, decsesso, abulia, necrose, nervos fragmentados, coração paralisado, prostração, impotência. Somos frágeis e ao observar esta fragilidade numa carcaça alheia, de perto, pode-se dizer que o medo nos invade. Refletir não é o bastante. Talvez, se pudéssemos viver um dia de grande abiose, poderíamos valorizar e entender melhor a vida.
Costumo reclamar, esbravejar, reivindicar por não ter tudo o que desejo, e acredito que todos assim fazem. É da natureza do ser humano não se contentar com o que se tem em mãos. Às vezes precisamos ser acalcanhados e espezinhados para aprender. Para que tanta beligerância? Para que tanta empáfia? Penso que o mundo é um baile, cujas pessoas usam máscaras e só se importam com os próprios "trajes". Muitas vezes a máscara e trajes só caem quando se está definhando, ou até mesmo quando se está no fundo do mais infindável poço. A beleza, o dinheiro, os bens materiais um dia acabam e se tornam inúteis e anacrônicos. Diante de tais coisas é impressionante que existam seres humanos megalômanos, que se acham superiores e atropelam tudo e todos com suas toneladas de futilidade. Quando falecemos somos reduzidos ao pó, literalmente, virando humo à terra. Basta uma enfermidade para notarmos que somos fracos e sensíveis; que somos um nada. Por mais que tenhamos abastança financeira demasiada, o fim é igual para todos.
Nem mesmo o mais exímio sábio poderia explicar a estupidez humana. Estupidez que só destrói e só depreda. Penso que se as pessoas dessem menos valor às coisas supérfluas, o mundo seria diferente. Pequenas coisas, que estão bem próximas e acabam sendo tratadas de forma insignificante podem se tornar grandes um dia (tão grandes que são capazes de nos afogar no mais edaz remorso, no mais edaz sentimento de culpa, na mais imensurável agonia). Penso tanto na futilidade humana que, por vezes, minha mente gira, ébria, por não entender por que somos tão medíocres, beligerantes, arrogantes, estúpidos, acéfalos... Donos de um egoísmo sem limites.
Acredito que a vida nos dá chances para que possamos evoluir, mas somos tão impenitentes que defenestramos estas chances milhares de vezes e nossa decência, inclusive. E assim, em guerra, em miséria, em tristeza, em sangue e hipocrisia segue este acromo mundo ao qual habitamos.
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