terça-feira, 20 de setembro de 2011

Regozija-te, país do futebol!



Regozija-te, país do futebol, enquanto me entristeço com as tuas maldições tão viscerais! Brasil, país de riquezas mil, de povo trabalhador e esforçado: explorado! Estuprado com o que se considera mais digno... A própria Democracia! Onde estará a Democracia? Talvez no sufrágio que constitui os teus representantes vis, que formam uma modalidade assustadora de sistema: o da Corrupção, servindo como exemplo, inclusive, nos livros dos teus estudantes.
Brasil, como comportas a ciência de que o teu povo esmorece em meio às desgraças e que, assim sendo, continuas a insistir numa megalomania utópica, de tão momentânea! Como se parecesse irrisório bilhões do dinheiro público sendo jogados ao vento e colocando a dignidade, princípio supremo do Estado Democrático de Direito, em último plano.
Que futuro almejas, nação heróica, se estás a perder os teus filhos num caos hiperbólico e irreparável? Como pretendes servir de inspiração, quando todos os teus princípios são negados dia após dia com o teu descaso! Tua Lei Magna é intrujona, Brasil, e tudo que proteges têm fenecido. E o vazio... Ah, o vazio! É a pior das sensações desta presente incrédula.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

A frigidez desta noite não é anômala: é, mais uma vez, o congelar de uma existência despida de entusiasmo, prestes a, quem sabe, sufocar em suas moléstias.

Por vezes indago aos céus sobre o mistério indecifrável e voraz que é a vida, sobre o porquê de ter que possuir tamanha coragem, mas o que vem a ser a vida senão o exercer de nossa insanidade natural?

O dia do juízo final se aproxima, e o sofrimento é o único sentimento ao qual sei que estou fadada, sem direito a rogos.

Sem ruborizar, aceito a existência e o seu pulsar a tentar extirpar o pessimismo de outrora, onde a realidade aparece sem embustes. Por quê? Desconheço.

Restou-me a existência. Apenas a existência.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Utopia

Aceitar-me como verdadeiramente sou é uma violência lançada contra mim mesma.
Minha sensibilidade pusilânime pode parecer risível aos olhos dos que não veem as incisões, mas é claro que a humanidade está demasiadamente submersa em seu inexorável modo de existir.
Já os meus ideais, surreais de tão longínquos, me atribuem uma ingenuidade extraterrena à audição de quem os ouve, pois a sociedade enferma não é mais capaz de suportá-los, e estupidez é eufemismo diante de tamanha imundície.
As minhas reflexões, tão minhas, me acometem à visões que eu desejaria não possuir.
As minhas atitudes tentam se adequar analogicamente àquilo que pode ser considerado forte, uma vez que demonstrando fraqueza se é tragado pelo sistema animalesco.

A idéia de liberdade é tão postiça quanto a pseudodemocracia desta pátria caótica.

A verdade mais verossímil é que estamos inseridos em uma atmosfera onde só nos resta o egoísmo... O pior: o voluntário, o consciente.
Nos resta também a existência cabisbaixa de um povo acomodado com a própria miserabilidade de espírito.

É... À essa distância do caminho tudo é utopia.