domingo, 27 de abril de 2008

Sonhar...





Como quem perde a lucidez, momentaneamente não existo. Minhas certezas flutuam como nuvens albinas no azul do céu. O silêncio existe. Mergulho no silêncio como quem mergulha num banho tépido, e o eco que as batidas do meu coração produzem são o único sinal vital. Quisera eu não ver as coisas de modo tão transparente! Quisera eu não viver os momentos de forma tão intensa e hipérbole. Mas "sou", e como a fúria de um dilúvio existo. Existir dói, escarna, sangra... Mas é tão sublime! É tão sublime viver como um enólogo que discerne os mais variados vinhos: degustando, sem receio, uma infinidade de detalhes e sabores da vida. É difícil, é amargo, mas também é doçura e leveza.
O que seria de nós, seres humanos, se não tivéssemos a capacidade de surdir em cada devaneio? Possuímos a capacidade e, felizmente, os sonhos são capazes de romper ferozmente a realidade.
Eu sonho! Pois sonhar é ultrapassar o imensurável, o eterno, o inexeqüível. É viver - sem temores - o mais impossível. É sentir plenamente cada momento: cada lágrima, cada sorriso/risada, cada dor, cada realidade aspirada. É cair no mais profundo abismo e levantar vôo. É lutar sem o medo de se machucar e perecer. É sempre conseguir enxergar lucernas nos mais obscuros túneis. É mover o céu, a terra e o mar com a força dos desejos. É estar vazio e sentir-se pleno de tudo. É conseguir conseguir sentir, mergulhado no mais infindável silêncio, o doce mistério dos sonhos. E não existem empecilhos, não existem dogmas, tampouco regras: sonhar é uma das mistificações mais cósmicas.
E nada pode impedir meu contentamento insólito; nada pode impedir minha amargúra-aprendizado, pois eu sonho com a sede dos mais infrenes devaneios, do êxtase mais acéfalo, da candura mais menosprezada, do vôo mais livre!
Eis uma característica de minha essência indelével: ao sonhar consigo tocar a realidade ilibada - a realidade inautida - a realidade incrustada no fundo da alma.

domingo, 13 de abril de 2008

Inverno brasileiro




Bom para uns e ruim para outros. Bom pelo fato de melhorar a situação áspera no clima, mas o lado ruim supera o bom. Os estados estão em calamidade pública e as chuvas provocam transbordamentos de açudes, rios e até mesmo de pequenos reservatórios. As ruas ficam alagadas. Quedas de barreiras e enchentes deixam milhares de moradores das periferias e favelas desabrigados. Há proliferação de doenças.
Problemas para a população. Boa parte destas situações ciclópicas de caos superabundante se deve à inércia das gestões administrativas, que não cuidam dos problemas estruturais, tampouco tentam melhorar esta situação caótica em que se encontram nossos estados brasileiros. Não posso deixar de percutir o perfunctório presidente da república (como em todos os meus demais textos que falam sobre os problemas brasileiros) : a Excelência, que diz amar o país e consegue dormir vendo milhares de desgraças nos jornais, na tv, no rádio. Onde estarão os valores de sua estirpe, que o tal fez questão de promulgar com ênfases hiperbólicas durante sua campanha? Como ele consegue ver tamanha penúria e dar as costas aos problemas?
Todos os dias podemos acompanhar na TV, rádio, jornais, revistas e etc., o reflexo do homem que colocaram na presidência por ser humilde, esforçado, "trabalhador". Todos os dias podemos acompanhar em cada escola pública e seus professores, em cada rua que caminhamos, em cada pai de família que nos aborda na rua deprecando por dinheiro para sua família ter o que comer, em cada posto de saúde e etc., quem são os senhores ministros, os senhores governadores, os senhores prefeitos, deputados... Enfim! Podemos ver o quão imunda é esta gestão de incompetentes desleais que só pensam, em primeiro lugar, na própria conta bancária.
Até quando todo este desmazelo?! Até quando vai durar esta imundície? São perguntas sem respostas, pois a cada dia que se passa a corrupção congemina em nosso país. E a história se repete todos os anos. Enquanto os senhores de Brasília lutam por seus "bônus" absurdos, o Brasil imerge em lama - literalmente.