quarta-feira, 26 de março de 2008

Minha loucura




Por vezes as dores que apertam meu interior são o único modo de continuar acreditando na vida. Pensamentos que me levam a duvidar de mim mesma passeiam em minha cabeça. Às vezes um lapso interminável toma minha memória; acabo saindo do material, rumo a uma dimensão onde só o vazio existe. Quando volto – como se nada fizesse sentido –, questiono tudo. Acredito que todos nós temos estes momentos. Momentos em que podemos achar o nosso próprio universo hilário, intrigante e dúbio; momentos em que a vida parece tão improfícua que – em alguns segundos – sentimos nossa mente ser sorvida pelo vazio. Gosto de analisar (por mais que a análise me deixe ainda mais confusa). O universo é deveras imensurável e tudo que nos rodeia idem, inclusive as pobres mentes humanas. Quisera eu que um livro com todas as respostas que preciso caísse em minhas mãos! Mas quem disse que a vida é fácil? Livros repletos de respostas não caem do céu. Nada cai. Vivemos em um mundo duvidoso, incerto, ambíguo. Nosso cérebro é capaz de produzir milhões de pensamentos; milhões de crenças; milhões de temores, certezas e uma infinidade de sensações e sentimentos. Cada um com seu modo de enxergar as coisas. Diate disso sinto-me desvairada. Minha pseudo-loucura? É benigna, estonteante, mas às vezes também pode ser puro báratro. Minha loucura gera perfectibilidade e assim, sem lástimas, vivo as quimeras mais frenéticas, as psicoses mais brutas, as doenças mais letais e as dores mais fortes! Meu sangue tem o – ilusório – peso dos alucinógenos mais edazes e impertinentes que congeminam meus devaneios. Minhas lágrimas têm o peso da mais lúgubre tristeza; têm o peso do contentamento que – esperançoso – tem a sede de não mais acabar. Entreguei-me e, ansiosa para viver o amanhã, caminho pelo mais inexorável aprendizado que existe: a vida.

sexta-feira, 21 de março de 2008

"Assim sou eu no mundo..."




É impossível me conhecer verdadeiramente através de diálogos ou análises de comportamento, pois a imensa dubiedade que minha presença produz não permite. Sou inintelígivel para mim mesma, e por vezes prefiro não me esforçar para entender o que se passa. Sinto-me louca sem ser, e assim reflito sobre as mais variadas coisas.
Ao escrever, sinto-me dualista. Sofro e alegro-me. Minhas desequilibradas palavras são pensamentos expelidos em meio ao mais profundo silêncio, que pode residir num mero pedaço de papel, por exemplo.
Minhas palavras são risadas e lágrimas. São a vontade de gritar, de afogar-me em meio às lágrimas que queimam e descarnam minha face. Minhas palavras são feridas que abertas e profundíssimamente irritadas gotejam o mais ávido sangue, mas também são a esperança, a vontade que tenho de ser feliz. São o luxo do meu dom de conseguir expressar inúmeros sentimentos através do mais imane silêncio. Por isso, então, escrever exercita, enriquece e ameniza minha alma. É mergulhando na fabulosa prolixidade de palavras que existo. Singelas folhas de papel refletem minha intimidade mais íntima, pois sem medo, sou explícita e mostro minha alma sem trajes, sem embustes, como se cada frase fosse tirada de minhas mais profundas entranhas. Afinal, nada tenho a perder. Assim sou eu no mundo - e poucos podem entender o mistério da coisa.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Responsabilidade!








Nós, seres humanos, sofremos metamorfoses constantes. Cada um com sua respectiva necessidade interior. Acredito que cheguei a um ponto onde a vida só impele à maturidade. Medo, insegurança, aflição, timidez, acanhamento... Começar a viver uma fase onde responsabilidade é imprescindível sem sombra de dúvidas é algo mágico: pode ser a força que nos leva a tomar decisões, a moldar o nosso caráter. A cada nova fase, novas sensações são conhecidas, novas experiências são aspiradas. Você prospera ou retrocede. Isso? Corresponde aos critérios e à vontade que cada pessoa tem para construir a própria vida. Muitas vezes, para se chegar ao fim da fase, é necessário haver congruência consigo mesmo, mesmo que tenhamos que nos esforçar para assim ser. Quero dizer que por vezes estamos fadados à coisas que não nos agradam, mas ainda, sim, deveríamos refletir e tentar enxergar pontos positivos - sempre há - para que haja a então congruência tão necessária. Não podemos desistir de encarar obstáculos, fatalidades, realidades (que muitas vezes até podem nos levar à vitória). É necessário analisá-los, degluti-los e absorvê-los, como se fossem comida para o nosso próprio ego e alma. Deveríamos pensar nas dificuldades como os gladiadores à moda antiga pensavam em exterminar o oponente. Em outras palavras, o sucesso dependerá da vontade de se alcançar o que deseja; da vontade que se tem de chegar no auge da felicidade (mesmo que a mesma seja, em partes, utópica). Como uma gladiadora ainda tenho inúmeras batalhas que precisam ser debeladas e, de certa forma, tenho um certo receio. Mas em mim a vontade de ser feliz sempre se mostra supina, apesar dos dilúvios.
Ao buscar aprendizado, a vontade de progredir deixa sofreguidão; instiga. Deixo aqui o meu obrigada, totalmente dedicado às pessoas que me deram total apoio e incentivo.


Uma nova fase começa...

sábado, 1 de março de 2008

Amizade






Falar de amizade é falar de lealdade, sinceridade, cumplicidade, companheirismo, altruísmo recíproco - uma infinidade de sentimentos e atos que transcendem qualquer palavra. A princípio, todos demonstram lealdade, magnanimidade, boas intenções. São pessoas que te ouvem, que aparentemente te compreendem, que te animam. É bom, sem dúvidas, mas é claro que isso não é o bastante para chamarmos outrem de "amigo". Muitas pessoas sofrem por aqueles que consideravam "amigos" e acabaram mostrando que o título não era merecido. Felizmente a vida sempre se mostra irônica: quando precisamos de verdadeiros amigos, quem poderia oferecer a mão te entrega às paredes. Nesses momentos, vemos a quem verdadeiramente podemos dar o título de amigo. Um dos ditos populares mais corretos: Antes só que mal acompanhado. Não sou infeliz por ter pouquíssimos amigos. Jamais, pois gosto de "qualidade".
Certa vez ouvi a história de um empresário bem sucedido que possuía vários amigos. Por uma fatalidade, ele perdeu tudo. Decidiu, então, recomeçar a vida. Pediu a cada amigo uma singela quantia em dinheiro. Dos vários que se diziam seus amigos, só dois lhe ajudaram. Os outros o menosprezaram e fingiram nem o conhecer.
Ser tratado com desdém por uma pessoa querida machuca, decepa. Atualmente tento ser o mais cautelosa possível quando se trata de sentimentos direcionados às pessoas. Tento me valorizar. Penso sempre que "eu" sou a única incapaz de me trair ou abandonar. Sozinha aprendi inúmeras coisas. Sou graduada em maturidade graças ao ostracismo; as noites de lágrimas ininterruptas e adurentes; aos pensamentos subversivos, que para muitos não passavam de pensamentos grotescos de uma adolescente tomada pela baixa auto-estima; a Senhora Solidão. Jamais me arrependerei pelos momentos de solidão e tristeza que me levaram a refletir e a fabricar sabedoria. Você tem medo de ficar só? Não tenha. Tenha medo de se perder num vazio que só poderá ser enxergado por você mesmo. Afinal, você é o único que pode ajudá-lo com as coisas que provocam o poço mais fundo. A que me refiro? Refiro-me às doenças da alma, que nenhum amigo, nem mesmo seus pais, poderia ser capaz de curar. Penso que estas coisas, sim, são letais. Valorize-se! Você é o único que pode navegar pelo seu interior; o único que pode acalentar a própria alma; o único que tem a chave de sua natureza mais íntima.