
Por vezes as dores que apertam meu interior são o único modo de continuar acreditando na vida. Pensamentos que me levam a duvidar de mim mesma passeiam em minha cabeça. Às vezes um lapso interminável toma minha memória; acabo saindo do material, rumo a uma dimensão onde só o vazio existe. Quando volto – como se nada fizesse sentido –, questiono tudo. Acredito que todos nós temos estes momentos. Momentos em que podemos achar o nosso próprio universo hilário, intrigante e dúbio; momentos em que a vida parece tão improfícua que – em alguns segundos – sentimos nossa mente ser sorvida pelo vazio. Gosto de analisar (por mais que a análise me deixe ainda mais confusa). O universo é deveras imensurável e tudo que nos rodeia idem, inclusive as pobres mentes humanas. Quisera eu que um livro com todas as respostas que preciso caísse em minhas mãos! Mas quem disse que a vida é fácil? Livros repletos de respostas não caem do céu. Nada cai. Vivemos em um mundo duvidoso, incerto, ambíguo. Nosso cérebro é capaz de produzir milhões de pensamentos; milhões de crenças; milhões de temores, certezas e uma infinidade de sensações e sentimentos. Cada um com seu modo de enxergar as coisas. Diate disso sinto-me desvairada. Minha pseudo-loucura? É benigna, estonteante, mas às vezes também pode ser puro báratro. Minha loucura gera perfectibilidade e assim, sem lástimas, vivo as quimeras mais frenéticas, as psicoses mais brutas, as doenças mais letais e as dores mais fortes! Meu sangue tem o – ilusório – peso dos alucinógenos mais edazes e impertinentes que congeminam meus devaneios. Minhas lágrimas têm o peso da mais lúgubre tristeza; têm o peso do contentamento que – esperançoso – tem a sede de não mais acabar. Entreguei-me e, ansiosa para viver o amanhã, caminho pelo mais inexorável aprendizado que existe: a vida.


