terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Descanse em paz, meu vovô!







Daria o universo para ouvi-lo dizer o "Oi, Maria Brunete" que tanto me comovia. Sua presença, que transmitia tanta paz, felicidade e boas energias, fará uma falta infindável. Meu avô ímpar, meu segundo pai! Apesar de tê-lo perdido há pouquíssimo tempo, já sinto uma saudade imensa. Saudade inefável que esmaga meu coração. Sinto-me soberba por tê-lo tido como avô. Meu único avô. Uma criatura dócil, gentil, generosa, magnânima. Sempre me passou, assiduamente, belos ensinamentos e conselhos excepcionais que tanto me levam/levaram a refletir. É, vovô. Para mim, você é, e sempre será, o guerreiro mais longânime, valente e sábio. Não mais ouvirei seus conselhos benignos; não mais ouvirei suas piadas, que só eram tão engraçadíssimas porque sua forma contagiante de contá-las assim as faziam; não mais poderei me encher de fé e esperança após suas orações; não mais poderei vê-lo comemorar a minha chegada em sua casa. Nunca mais poderei sentir a presença de sua matéria, sempre sorridente, que só alegrava. Sinto-me contrita por não tê-lo beijado, abraçado e acariciado mais vezes. Mas você sabia, e compreendia, que aquele era meu modo de amar; meu taciturno amor. Sempre me tratou com muito carinho, dedicação e respeito.
Ao beijar seu rosto gélido, pálido e arcano, você me fez pensar na vida e nas pessoas de um modo mais especial. Parece irônico, mas você me fez ver a vida de forma mais ampla e afável. Perdoe-me por ter sido tão tímida e acanhada; perdoe-me por não ter dito, com todas as letras, que o amava; perdoe-me por não ter chegado a tempo. Sem mais. Tributo a você minha eterna gratidão, respeito e admiração! Jamais esquecerei sua estirpe impoluta, íntegra, portentosa e morigerada que tanto nos orgulha. Jamais deixarei de vê-lo como o maior exemplo de ser humano - exemplo que será passado para as futuras gerações de nossa família.
Sua presença corpórea se foi, mas a incorpórea jamais partirá. Os momentos em que pude estar ao seu lado estarão para sempre cravados em meu coração. O amor, o respeito e a admiração, que sinto por você, jamais partirão. Pois o verdadeiro amor não acaba; o verdadeiro amor é incondicional, eterno e imortal. Você é uma das pessoas que conquistaram um lugar eterno e imortal em meu coração. Será lembrado até o fim, por todos nós, sempre, como um dos homens mais dignos que já habitou este acromo mundo. Sua batalha aqui na terra foi debelada de forma mais sublime impossível! Tua honrosa vitória será lembrada pra sempre! Descanse em paz, meu vovô! Até breve.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Ah, o amor....





Costumo dizer que a humanidade tem sérios problemas de ignorância, estupidez, futilidade, mas penso que acima disto existe o amor - é raro, mas existe. Acredito que o amor da maior parte da humanidade é ilusório. Com o tempo, com as gerações, as pessoas o generalizaram. Se pararmos para pensar, vemos que o amor sincero, puro, imaculado e impoluto que existiu para os nossos antepassados deu lugar ao amor ilusório repleto de interesses, falsidade, oportunismo: mitomania pura.
Pouco falo de amor, quase nada eu diria,mas quando falo emociono-me a ponto de cair em prantos. Sou uma eterna apaixonada por aqueles que conquistaram o meu coração. O amor por estes, tão raros, reside em cada gotícula de sangue que possuo em minhas veias; em cada pensamento que meu cérebro produz; em cada litro de ar que chega aos meus pulmões; em cada pulsar do meu coração. Sem meias palavras, digo que o amor é tão imprescindível quanto o ar que respiro ou qualquer outra coisa que meu corpo não possa se abster. Posso senti-lo tocar minha alma; posso sentir sua presença, ubíqua, em minhas entranhas, e por isso considero-me a mais soberba!
O amor resiste a qualquer distância, a qualquer orgulho, a qualquer indiferença, a qualquer desavença. O verdadeiro amor não acaba. O verdadeiro amor não se esvai. O verdadeiro amor é incondicional e eterno. Não existe vergonha; não existe egoísmo; não existe egocentrismo; não existe contrição. Não me atrevo a tentar descrever o sentimento mais ciclópico e belo que existe, pois nenhum epítome é suficiente. Ah, o amor! Sem dúvidas é o sentimento mais belo e exuberante que um ser é capaz de possuir.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Nênia





"Dia pálido e lúgubre;
Como se o céu estivesse em lutuoso sofrimento.
Sofrimento que atinge como um bisturi.
Bisturi que destrói coração
bisturi que corta entranhas,
Dilacerando cada milímetro, fazendo sangrar.
Não consigo pensar; Não consigo beber, pois a garganta se contrai.
Os olhos imergidos em lágrimas tão contínuas, que descem como labaredas,
Queimando a face.
Oh, mente Imponderabilíssima, inefável, pérfida!
Por que resolveste impelir-me na mais imensa tristeza?!
Deixe-me debelar esta biofobia! Deixe-me vencê-la!
Só tu podes me ajudar!
Não vês que já estou agonizando? Não vês que quero viver?
Sim, eu quero viver! E não posso mais esperar..."


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Todos nós podemos






Sabe quando se está diante de um povaréu e não se vê, ouve e sente absolutamente nada? Ás vezes queremos ser compreendidos, mas não há quem compreenda. A máscara que uso causa incômodo e náuseas constantes. Tento não me preocupar com os problemas ao meu redor e ser uma inexorável otimista. A vida não é fácil, sem dúvidas. Acho que ainda nem comecei a vivê-la, mas um medo demasiado já me consome. Tento controlar meus pensamento, mas quando se trata da minha vida, meus neurônios trabalham sôfregos, incessantes em busca de soluções e conforto. Pouco posso fazer, e isso me deprime. Tenho uma necessidade infindável de lograr a vida. Quero alcançar cada sonho que aspiro; quero alcançar cada coisa que desejo, embora possua muitos obstáculos para enfrentar antes de alcançar a então felicidade. Por vezes gostaria de ser um aríete para passar por cima de cada empecilho, de cada sentimento contrário, de cada problema que emerge, de cada momento em que me sinto infausta, abstrusa, desgostosa... (mesmo sabendo que fazem parte do aprendizado). Apesar dos momentos em que penso que vou perecer, acredito em mim. Sei que sou capaz. Quanto à vida: poucos são os fracos que conseguem vivê-la, e penso isso sempre que sinto as lágrimas me deceparem. Apesar dos pesares, continuo pensando que sempre há uma lucerna em cada túnel e em cada abismo, por mais que ás vezes pareça impossível. A cada queda, novas lições são expostas: novos aprendizados que podem nos tornar melhores e fortes. É necessário ser deveras pertinaz para conseguir viver a vida. E necessário ter um bom estômago; é necessário ter sede de ser feliz, por mais que saibamos que tudo é utopia. Acredito, sim, que tudo é utopia, mas quero um dia, então, ser feliz - como passarinhos que voam, livres, no azul turquesa do céu; como uma criança que brinca, despreocupada e encantada. Quero sentir-me altiva como a cor vermelha de uma luxuriosa rosa... Eu quero! Eu posso. Todos nós podemos.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

O fim é igual para todos






Sabemos que apenas o "hoje" existe. O amanhã?! É incerto. Nada se sabe, tudo se imagina. Quando começamos a pensar na incerteza do amanhã, mergulhamos no mais imane dilema. Hoje podemos estar bem. O amanhã pode ser pus, algia, decsesso, abulia, necrose, nervos fragmentados, coração paralisado, prostração, impotência. Somos frágeis e ao observar esta fragilidade numa carcaça alheia, de perto, pode-se dizer que o medo nos invade. Refletir não é o bastante. Talvez, se pudéssemos viver um dia de grande abiose, poderíamos valorizar e entender melhor a vida.
Costumo reclamar, esbravejar, reivindicar por não ter tudo o que desejo, e acredito que todos assim fazem. É da natureza do ser humano não se contentar com o que se tem em mãos. Às vezes precisamos ser acalcanhados e espezinhados para aprender. Para que tanta beligerância? Para que tanta empáfia? Penso que o mundo é um baile, cujas pessoas usam máscaras e só se importam com os próprios "trajes". Muitas vezes a máscara e trajes só caem quando se está definhando, ou até mesmo quando se está no fundo do mais infindável poço. A beleza, o dinheiro, os bens materiais um dia acabam e se tornam inúteis e anacrônicos. Diante de tais coisas é impressionante que existam seres humanos megalômanos, que se acham superiores e atropelam tudo e todos com suas toneladas de futilidade. Quando falecemos somos reduzidos ao pó, literalmente, virando humo à terra. Basta uma enfermidade para notarmos que somos fracos e sensíveis; que somos um nada. Por mais que tenhamos abastança financeira demasiada, o fim é igual para todos.
Nem mesmo o mais exímio sábio poderia explicar a estupidez humana. Estupidez que só destrói e só depreda. Penso que se as pessoas dessem menos valor às coisas supérfluas, o mundo seria diferente. Pequenas coisas, que estão bem próximas e acabam sendo tratadas de forma insignificante podem se tornar grandes um dia (tão grandes que são capazes de nos afogar no mais edaz remorso, no mais edaz sentimento de culpa, na mais imensurável agonia). Penso tanto na futilidade humana que, por vezes, minha mente gira, ébria, por não entender por que somos tão medíocres, beligerantes, arrogantes, estúpidos, acéfalos... Donos de um egoísmo sem limites.
Acredito que a vida nos dá chances para que possamos evoluir, mas somos tão impenitentes que defenestramos estas chances milhares de vezes e nossa decência, inclusive. E assim, em guerra, em miséria, em tristeza, em sangue e hipocrisia segue este acromo mundo ao qual habitamos.