
Escrevo por querer falar e não poder - só consigo exprimir a essência através do silêncio. Hoje - em silêncio - meus olhos devoraram inúmeros enigmas que me fizeram caminhar como uma criatura insone, que simplesmente caminha sem se importar com absolutamente nada. Perplexa, descobri que na escrita podemos achar o êxtase - o êxtase que, conseqüentemente, nos faz perceber que a infinidade de mistérios que nos rodeiam é bem maior do que possamos imaginar. A escrita é o silêncio nu e cru. Gritos... Lágrimas... Pesadelos... Risos... A vida jamais vivida. É tão vasto! Tão esdrúxulo que nem vivendo um milênio eu conseguiria descrever. E eu caminhei, desnorteada, com a chusma de seres humanos repletos de enigmas. Cada um com os seus, e os meus pareciam transcender qualquer um. Os meus parecem ser os mais indecifráveis.
Para que se preocupar em entender o que se passa? Não entender é leveza; não entender nos dá asas.
Nos últimos meses, nos quais tenho sido atacada por explosões de pensamentos eufóricos, sinto que amadureci alguns milênios. Pela primeira vez orgulho-me: não pensei em desistir. Suportei a dor e a ambigüidade dilacerante que os enigmas da vida provocam na mais plena solidão. Dói de verdade: como se a alma estivesse em ininterrupta mutação. A mente incomoda: minha pobre mente vertiginosa que, por vezes, aparenta querer parar.
Até quando vai durar? (Até o fim, com certeza.)
"- Mas não se preocupe... Apenas viva."