
Acredito que os pensadores socialistas da antigüidade sofreriam horrores se pudessem ver a situação caótica em que a sociedade se encontra. Os problemas de outra época se tornaram mínimos e quase inexistentes perto dos atuais. A sociedade está doente. Está repleta de ideologias que a tornam podre.
Penso, penso, e só enxergo ignorância, perfídia, egoísmo, prepotência, corrupção e uma série de terríveis características que assolam este mundo vil. Já não vejo televisão. Conseqüentemente, estou quase adquirindo a ilusória biofobia que me levará ao escasso grupo de seres humanos sociais que enxergam a imundície – e o pior de tudo: sofrem com ela. Ah, devo ser patética aos olhos de muitos, mas que fique bem transparente que não sonho com ressocializações, mudanças, melhoras e etc., pois a realidade é conseqüência de nossas atitudes, e sonhar com uma realidade melhor seria, de fato, patético e ridículo. Abstenho-me de teorias utópicas, até porque costumo ser bem racional quando o alvo é o mundo.
O ímpeto que me trouxe ao computador para escrever veio após o tema Desigualdade Social, para um seminário de Sociologia. Confesso que não gosto muito de Sociologia, pois estudar a sociedade, considerando seus problemas e dilemas, não me instiga. Estudei sobre as causas e conseqüências da tal Desigualdade Social.
Além de ser gerada pela omissão, corrupção e insuficiência dos órgãos e autoridades “competentes”, nós, sociedade, temos uma parcela altíssima de culpa.
Quando fazemos uma análise das sociedades identificamos de imediato a existência de diversidades e desigualdades sociais. Muitas delas são resultados da natureza humana, que nos distingue na etnia, altura, idade e etc., mas as desigualdades sociais são produtos das relações estabelecidas entre os indivíduos, que os separam em opressores e oprimidos pelos mais variados motivos, algo que já existe há longos anos em todo o mundo; muito antes das diferenças horríveis entre homens, mulheres, adultos e jovens, heterossexuais e homossexuais, burgueses e proletários e etc. que marcaram o século XX e levaram milhares de pessoas às ruas em manifestações e movimentos que defendiam seus interesses. O fato é que estas desigualdades continuam existindo, apesar das grandes melhorias obtidas através dos nossos antepassados (muitos até morreram nessas lutas) continuam existindo como instrumento de opressão e provocando a exclusão dos “inferiorizados”. A condição de gay ou lésbica é atacada; as mulheres sendo taxadas de domésticas e sexo frágil; os pobres continuam sendo discriminados e explorados. Estas discriminações operam com tal violência (física e psicológica), que o indivíduo discriminado sofre com a exclusão. Os opressores, que encontram uma série de falsas vantagens de natureza quase exclusivamente psicológica para contribuir com a opressão, vêem nos oprimidos um objeto de repúdio que merece ser ridicularizado e acabam coagindo, estabelecendo normas criadas por eles, tirando proveito dos mais fracos.
Os reflexos do ciclo de opressores e oprimidos estão presentes nas taxas de desemprego, nos rendimentos em salário, na pobreza existente em nosso país e no mundo. Muitas vezes em nossa vida achamos que os pobres são burros e ignorantes. Que as mulheres são inferiores. Que os negros são porcos e sujos e vieram da África. E que os jovens do Ensino Médio vão conseguir um emprego fazendo um excelente curso técnico. Enfim, estamos controlados pelas ideologias existentes no mundo. Estamos presos à idéia de que é melhor se adaptar a isto do que tentar modificar.
A ideologia gera desigualdades sociais quando os IDEAIS são de diferenciação e não de igualdade.
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