quarta-feira, 6 de abril de 2011

Utopia

Aceitar-me como verdadeiramente sou é uma violência lançada contra mim mesma.
Minha sensibilidade pusilânime pode parecer risível aos olhos dos que não veem as incisões, mas é claro que a humanidade está demasiadamente submersa em seu inexorável modo de existir.
Já os meus ideais, surreais de tão longínquos, me atribuem uma ingenuidade extraterrena à audição de quem os ouve, pois a sociedade enferma não é mais capaz de suportá-los, e estupidez é eufemismo diante de tamanha imundície.
As minhas reflexões, tão minhas, me acometem à visões que eu desejaria não possuir.
As minhas atitudes tentam se adequar analogicamente àquilo que pode ser considerado forte, uma vez que demonstrando fraqueza se é tragado pelo sistema animalesco.

A idéia de liberdade é tão postiça quanto a pseudodemocracia desta pátria caótica.

A verdade mais verossímil é que estamos inseridos em uma atmosfera onde só nos resta o egoísmo... O pior: o voluntário, o consciente.
Nos resta também a existência cabisbaixa de um povo acomodado com a própria miserabilidade de espírito.

É... À essa distância do caminho tudo é utopia.

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