
É impossível me conhecer verdadeiramente através de diálogos ou análises de comportamento, pois a imensa dubiedade que minha presença produz não permite. Sou inintelígivel para mim mesma, e por vezes prefiro não me esforçar para entender o que se passa. Sinto-me louca sem ser, e assim reflito sobre as mais variadas coisas.
Ao escrever, sinto-me dualista. Sofro e alegro-me. Minhas desequilibradas palavras são pensamentos expelidos em meio ao mais profundo silêncio, que pode residir num mero pedaço de papel, por exemplo.
Minhas palavras são risadas e lágrimas. São a vontade de gritar, de afogar-me em meio às lágrimas que queimam e descarnam minha face. Minhas palavras são feridas que abertas e profundíssimamente irritadas gotejam o mais ávido sangue, mas também são a esperança, a vontade que tenho de ser feliz. São o luxo do meu dom de conseguir expressar inúmeros sentimentos através do mais imane silêncio. Por isso, então, escrever exercita, enriquece e ameniza minha alma. É mergulhando na fabulosa prolixidade de palavras que existo. Singelas folhas de papel refletem minha intimidade mais íntima, pois sem medo, sou explícita e mostro minha alma sem trajes, sem embustes, como se cada frase fosse tirada de minhas mais profundas entranhas. Afinal, nada tenho a perder. Assim sou eu no mundo - e poucos podem entender o mistério da coisa.
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